Newsletter Setembro 2020

JUNIBEE NEWS #3

Uma newsletter para pensar sustentável!

Desde que começamos a produzir peças de loungewear muito estudo foi feito para entender o mercado da moda e os diversos caminhos possíveis. 

Quando nos lançamos em novos desafios, é extremamente importante que tenhamos um mapa, um desenho da rota que queremos seguir. Porém mapas são guias, não são garantia de nada e o que de fato te espera no caminho é um mistério! 

Então para nós, lançar peças de loungewear está sendo uma jornada cheia de surpresas, desafios e alegrias. E isso é incrível, acolhemos tudo e estamos abertas para o novo. E se esse novo é, muitas vezes, desconhecido e por isso múltiplo, então muitas vezes a base sólida que sustenta essa jornada é o entendimento de quais caminhos nós não queremos seguir de jeito nenhum, sob hipótese alguma, enquanto uma marca sustentável.

O que sabemos: não queremos que nenhuma matéria prima usada nos nossos processos tenham procedência duvidosa; queremos usar algodão orgânico e sustentável, pois entendemos que é inadmissível consumirmos algodão que se relaciona com as famosas fazendas de algodão, com diversas denúncias de trabalho análogo ao escravo; todos os colaboradores da junibee são remunerados de forma justa, sem sobrecarga de trabalho; upciclying – todos os nossos resíduos são reaproveitados, reinventados e reabsorvidos em nossa produção; não usamos nenhum aditivo químico nocivo para a saúde; não fazemos publicidade baseada na competição, ódio ou valores não-éticos.

Esse é nosso norte e é para lá que estamos caminhando! E foi pensando nisso tudo que preparamos para vocês essa newsletter especial da moda sustentável. A linguagem é acessível para todos, afinal todos nós usamos roupas, não? Então mesmo que você não sinta que você faz parte do ecossistema da moda, você faz. Aproveitem!


O VERDADEIRO CUSTO
Para começo de conversa, que tal esse documentário super didático sobre o processo de confecção, consumo e descarte de roupas?! TRUE COST é um filme de 2015 que continua super atual, já que não aconteceram mudanças significativas nos processos de confecção em massa. Dirigido por Andrew Morgan, o doc puxa a cortina da história não contada do mundo da moda, mostrando de onde vêm e para onde vão as nossas roupas. É impressionante, pois mostra imagens de diversos lugares do mundo, desde os espaços da mais alta costura, aos espaços mais precários e insalubres, passando por trabalho infantil. 

https://truecostmovie.com/about


PESSOAS E NÃO MÁQUINAS
"Moda rápida, destruição lenta: este é o preço que outras pessoas pagam pelas roupas baratas que compramos" – uma afirmação impactante e certeira dessa matéria do THE CORRESPONDENT, que conta um pouco sobre o universo perverso do fast fashion.

Você sabia que são pessoas e não máquinas que fazem as roupas de grandes varejos? E você sabia que a média de uso de uma peça é de cinco vezes? Apenas cinco vezes e ela se torna dispensável para quem comprou. Trata-se um ciclo descartável de uma peça feita, muitas vezes, de tecidos que se assemelham ao plástico e que portanto são perenes. Estamos tão acostumados em comprar peças sem nem mesmo precisar delas que não nos perguntamos dois itens básicos do consumo consciente: procedência e descarte. 

https://thecorrespondent.com/669/fast-fashion-slow-destruction-this-is-the-price-other-people-pay-for-the-cheap-clothes-we-buy/88558088256-6c2ac10c


COVID & FAST FASHION, ROTAS EM COLISÃO
O Covid trouxe uma crise econômica que atingiu os trabalhadores do fast fashion. Nós bem sabemos que são as classes menos favorecidas, desprovidas dos direitos mais básicos, que amortecem o impacto das grandes crises. Os danos vão se somando em uma espiral difícil de romper e justamente por isso merece nossa atenção e dedicação. Em tempos de crise global com a pandemia de COVID-19, que só piorou as situações já extremas, grandes marcas fecharam suas confecções e não pagaram pelos trabalhos prestados – gerando a campanha #payup, como mostra as matérias do FLO LONDON e VARSITY. 

https://www.flolondon.co.uk/all-posts/fast-fashion-needs-to-payup

https://www.varsity.co.uk/fashion/19601


SOMOS TODOS CÚMPLICES?
Quando pensamos em escravidão moderna relacionado ao fast fashion quais são os países que você relaciona? Talvez Ásia venha rapidamente à sua mente? Pois então saiba que a dita escravidão acontece muito mais próxima, nos ditos "países de primeiro mundo", como Estados Unidos e Reino Unido, segundo essas duas matérias, ambas da EURO NEWS.

A primeira matéria é sobre uma investigação em fábricas exploradoras em Leicester, no Reino Unido. A segunda é sobre o setor de vestuário em Los Angeles após denúncias feitas no documentário MADE IN AMERICA. Ambas são sobre o fast fashion e seu modelo absolutamente insustentável. 

Segundo o artigo, os trabalhadores do setor recebem cerca de US$0,30 por cada peça que criam. Isso, por sua vez, se traduz em cerca de US$5 a hora – o que sai bem abaixo do salário mínimo de US$15 por hora da Califórnia. Para aumentar esse ganho, os trabalhadores correm muito, para que ao final de uma hora eles tenham feito um número maior de peças do que a média. Para isso ficam sem ir ao banheiro ou se alimentar, o que contribui para acidentes de trabalho.

"Não há resgate pelo fast fashion, nenhum modelo ético alternativo no qual os direitos dos trabalhadores são priorizados", afirmam.

https://www.euronews.com/living/2020/07/10/exploitation-and-sweatshops-are-at-the-core-of-fast-fashion-it-s-time-to-dismantle-the-sys

https://www.euronews.com/living/2020/08/17/new-documentary-exposes-subhuman-working-conditions-in-la-sweatshops

TODOS USAMOS ROUPAS
Ao menos na rua. Então é sua obrigação aprender sobre a indústria do vestuário. Faça perguntas como: qual é o impacto de suas compras de roupas? Como suas roupas são feitas e quem as fez? De onde vieram os tecidos, as linhas e etiquetas? Será que eu preciso mesmo dessa nova peça da moda? 

Opte por itens atemporais e duráveis, que atravessam gerações. Aposte e valorize trabalho de pequenos negócios, que prestam contas de seus processos. Valorize brechós e usar roupas de segunda mão, afinal tem muita coisa de qualidade que foi descartada por "não estar mais na moda". 

Quando for fazer um descarte, saiba exatamente para onde as peças serão mandadas, pois infelizmente, muitos e muitos containers de roupas são despejados em países da Ásia sem nenhum critério, criando montanhas de roupas tóxicas, de tecidos não degradáveis como o poliéster, que demora em média 200 anos para se decompor – como mostra muito bem o documentário TRUE COST que mencionamos no início desta newsletter.

Se informe e apoie movimentos como o CLEAN CLOTHES: uma campanha da sociedade civil que reivindica melhorias das condições de trabalho nas indústrias de vestuário. Pesquise sobre moda consciente, moda sustentável, slow fashion. Pratique upcycling e se recuse a entrar no modo de uso único, acolha as imperfeições das tuas peças as ressignificando.

UPCYCLING: VAMOS JUNTAS REUTILIZAR O MUNDO <3

Upcycling não é a mesma coisa que reciclagem, pois está mais conectado com o conceito de reaproveitamento e continuidade do ciclo de vida do produto. No processo de reciclagem a vida daquele produto se transforma através de reações químicas, então ele deixa de ser o que era para se tornar matéria prima novamente. No upcycling estamos falando da ressignificação de algo que aparentemente não tem mais valor: é literalmente a reutilização de um material que se tornaria lixo, porém aproveitando suas características originais. Existem marcas muito bem sucedidas na implementação de upcycling como método, tal qual o collab Timberland x Thread, a marca de alta costura Viktor & Rolf e a queridinha e brasileiríssima Insecta Shoes

https://medium.com/neworder/a-nova-moda-upcycling-f6cab05628c3

 

 

Um amor em forma de newsletter para pensar sustentável